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O objetivo deste blog é fornecer uma lista de tríades encontradas na Bíblia — palavras, expressões ou temas que ocorrem somente três vezes n...

23/05/2026

Paz seja convosco

Apenas três vezes no evangelho de João encontramos a expressão "paz seja convosco". Todas as ocorrências estão no cap. 20, e todos mostram o Cristo ressurrecto dirigindo estas palavras aos Seus discípulos. Eles estavam assustados, e Ele preocupou-Se em confirmar a fé deles. Embora tinham passado muito tempo aos pés do Mestre, quão depressa esqueceram as lições ensinadas!

Escondidos atrás de portas fechadas, eles ouviram a Sua mensagem tranquilizadora dando-lhes:

  • paz no seu temor (v. 19) — “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-Se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”;
  • paz para seu serviço (v. 21) — “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”;
  • paz nas suas dúvidas (v. 26-27) — “E oito dias depois estavam outra vez os Seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-Se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as Minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”.

Nós não somos diferentes dos discípulos. Temos temores; sentimo-nos incapazes para o serviço ao qual Ele nos comissiona; e conhecemos muito bem as limitações da nossa fé.

Mas o Senhor não muda — Ele é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente (Hb 13:8). Ele continua agindo com a mesma paciência e amor com que tratou os discípulos após a ressurreição.

Se abrirmos os ouvidos do coração hoje, ouviremos nosso Senhor dizer: “Paz seja convosco … não sejas incrédulo, mas crente!

17/04/2026

É chegada a hora (b)

Jo 12:23; 13:1; 17:1

João usa diversas vezes a palavra grega traduzida “hora”, mas entre estas ocorrências, duas tríades se destacam. Considere a segunda delas (veja a primeira aqui).

Somente três vezes após o cap. 12 lemos que "era chegada" aquela hora:

  • “E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado” (12:23);
  • “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (13:1);
  • “Jesus falou assim e, levantando Seus olhos ao Céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que também o Teu Filho Te glorifique a Ti” (17:1).

Repare o quiasma nesta segunda tríade: a primeira e a última referência associam aquela hora com o Filho sendo glorificado, enquanto a referência central fala da hora do Filho passar deste mundo para o Pai.

A estrutura perfeita formada por estas duas tríades não deixa nenhuma dúvida quanto ao objetivo do Senhor Jesus ter vindo a este mundo. Este é o momento crucial do ministério do Senhor. Tudo (a encarnação, a infância em Nazaré, o ministério público), tudo era importante, e nenhuma etapa poderia ter sido pulada. Mas tudo que veio antes, e tudo que viria depois, dependia desta hora. É a hora da verdade, o dia “d” e a hora “h”, o ponto que definirá a vitória ou a derrota eterna do bem sobre o mal.

E por meio destas duas tríades, o Espírito Santo nos mostra que esta hora sempre esteve diante do Filho, desde o momento do Seu primeiro milagre em Caná da Galileia. Ele veio com um objetivo claro, e não descansou até que aquele objetivo foi cumprido!

Que hora foi essa! 

É chegada a hora (a)

Jo 2:4; 7:30; 8:20

João usa diversas vezes a palavra grega traduzida “hora”, mas entre estas ocorrências, duas tríades se destacam. Considere a primeira delas.

Somente três vezes na primeira parte do seu evangelho (isto é, antes do cap. 12), aquela hora é descrita pela expressão “ainda não era chegada”, e sempre acompanhada do pronome possessivo: duas vezes o texto diz “Sua hora”, e uma vez o Senhor diz “Minha hora”:

  • “Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora” (2:4);
  • “Procuravam, pois, prendê-lO, mas ninguém lançou mão dEle, porque ainda não era chegada a Sua hora” (7:30);
  • “Estas palavras disse Jesus no lugar do tesouro, ensinando no Templo, e ninguém O prendeu, porque ainda não era chegada a Sua hora” (8:20).

A partir do cap. 12, porém, entramos na semana da crucificação, e nesta parte do Evangelho é dito três vezes que aquela hora havia finalmente chegado.

A estrutura perfeita formada por estas duas tríades nos mostra que esta hora sempre esteve diante do Filho, desde o momento do Seu primeiro milagre em Caná da Galileia. Ele veio com um objetivo claro, e não descansou até que aquele objetivo foi cumprido!

Veja mais na parte (b).

Deus Se apraz no Filho

Mt 3:17; 12:18; 17:5

A vida do Senhor Jesus aqui na Terra, em relação às nossas vidas, já foi comparada a uma rosa entre espinhos. No meio de tanto pecado, desobediência e rebeldia, Deus viu um, e apenas um, que O agradava em todos os detalhes. 

Mateus, inspirado pelo Espírito Santo, usa a palavra grega eudokeo (2106) apenas três vezes no seu Evangelho. Toda vez que a usa, Mateus está descrevendo o apreço do Pai em relação ao Seu Filho amado.

A primeira ocorrência é no final do cap. 3, no batismo do Senhor. Os trinta anos ocultos em Nazaré terminaram, e o Senhor Jesus estava manifestando-Se publicamente pela primeira vez. A multidão às margens do Jordão não conhecia aquele humilde Carpinteiro de Nazaré; ninguém ainda O ouvira pregar, nem O vira fazer algum milagre. E Deus então intervêm: “Vocês não O conhecem — mas Eu conheço! Faz trinta anos que observo os Seus passos ali em Nazaré. Vi o bebê tornar-Se um adulto, e agora tenho o prazer de apresentá-lO a vocês. Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo!”

A segunda ocorrência é no cap. 12, onde ocorre aquela mudança clara de assunto na narrativa de Mateus. Mateus começa seu evangelho apresentando o rei de Israel nos caps. 1 a 4 — Sua genealogia e nascimento, Seu precursor e Seu batismo, e Sua vitória sobre Satanás. Nos caps. 5 a 7 encontramos aquilo que pode ser chamado o manifesto do rei, no Sermão da Montanha. Isto é seguido por uma manifestação do poder do rei dos caps. 8 e 9 (metade dos 20 milagres registrados em Mateus estão nestes dois capítulos). Mas nos caps. 10 a 12 temos a perseguição ao rei, anunciada pelo Senhor aos discípulos no cap. 10, apresentada pelo Senhor à nação no cap. 11 (o caso de João Batista, que leva o Senhor a condenar aquele povo, depois Sua condenação das cidades impenitentes), e finalmente assumida pelo povo no cap. 12: primeiro os fariseus condenam os discípulos (1-8), depois começaram a planejar a morte do Senhor (9-14), depois abertamente atribuem o Seu poder à Satanás (22-30), levando o Senhor a falar sobre a blasfêmia ao Espírito Santo (31-37), a negar-lhes qualquer sinal a não ser o sinal de Jonas (38-42), e a mostrar-lhes o seu real estado de corrupção na parábola do espírito que sai, e volta trazendo mais sete espíritos (43-45). O capítulo termina com o Senhor mostrando que até os Seus próprios familiares estavam contra Ele. E nesta hora de desprezo, Mateus cita Isaías 42: “Eis … o Meu amado, em quem a Minha alma Se compraz”.

A terceira ocorrência é no cap. 17, quando Pedro, Tiago e João viram a glória do Senhor transfigurado e ouviram a voz de Deus dizendo: “Este é o Meu amado Filho, em quem Me comprazo”.

Três cenas diferentes — uma mesma opinião. Na vida quieta de menino no lar em Nazaré (Mt 3), na correria agitada das pregações e milagres (Mt 12), ou numa antevisão da Sua glória eterna (Mt 17) — em qualquer circunstância, Deus tem prazer em dizer: “Ele é o Meu Amado, em quem Me comprazo”!  

15/04/2026

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O objetivo deste blog é fornecer uma lista de tríades encontradas na Bíblia — palavras, expressões ou temas que ocorrem somente três vezes num determinado contexto.

Lista completa das tríades inseridas neste blog:

  1. As lágrimas do Senhor — Lc 19:41; Jo 11:35; Hb 5:7
  2. Deus Se apraz no Filho — Mt 3:17; 12:18; 17:5
  3. É chegada a hora (a) — Jo 2:4; 7:30; 8:20
  4. É chegada a hora (b) — Jo 12:23; 13:1; 17:1

As lágrimas do Senhor

Lc 19:41; Jo 11:35; Hb 5:7

Duas palavras gregas diferentes nos revelam três ocasiões quando o Senhor chorou — todas no final da Sua vida terrestre, e todas no Monte das Oliveiras:

  • Ele chorou vendo a tristeza de Maria pela morte de Lázaro (Jo 11:35);
  • Ele chorou sobre Jerusalém, prevendo o terrível juízo que viria sobre aquela cidade (Lc 19:41);
  • Ele chorou no Getsêmani, contemplando a cruz (Hb 5:7).

Tudo que envolve a encarnação está cercado de mistério santo. Acompanhamos a trajetória do Senhor Jesus Cristo, desde o ventre de Maria até a cruz, e há tanta coisa que não entendemos. Às vezes ficamos maravilhados com a Sua condescendência (na manjedoura, por exemplo). Outras vezes, Seu poder divino ao realizar milagres nos impressiona, ou Sua dignidade moral ao responder às agressões verbais e provocações dos fariseus. Mas quando lemos das suas lágrimas, ficamos sem palavras diante do mistério de um Deus que se fez verdadeiramente homem. Não sei se há algo que evidencia mais claramente a Sua humanidade do que as Suas lágrimas. O Deus de toda consolação chorou — prostramo-nos diante dEle, maravilhados, e adoramos!

As primeiras duas vezes que Ele chorou foi a tristeza de outros que comoveu o Seu coração — mas na terceira ocasião, a ênfase recai sobre a tristeza da Sua própria alma. Na primeira ocasião, vemos como Ele reparte a tristeza dos Seus, chorando juntamente com eles. Na segunda ocasião, vemos como Ele não tem prazer na morte dos ímpios. Na terceira ocasião, temos uma pequena indicação de quão amargo foi o cálice que Ele bebeu para nossa salvação.

Que possamos meditar nas lágrimas do nosso Salvador, e adorá-lo hoje e sempre!