Somente três vezes no NT o Senhor é descrito não simplesmente como “Cristo”, nem “o Cristo”, mas “Seu Cristo” (isto é, o Cristo de Deus):
- Atos 4:26: Morrendo segundo os propósitos de Deus. “Levantaram-se o reis da Terra, e os príncipes se ajuntaram à uma contra o Senhor e contra o Seu Ungido [literalmente, ‘o Seu Cristo’]. Porque verdadeiramente contra o Teu santo Filho Jesus, que Tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel”. Herodes não se entendia com Pilatos, que desprezava os judeus, que odiavam os gentios — mas todos deixaram de lado, temporariamente, suas desavenças e inimizades, pois diante deles estava alguém que todos eles odiavam ainda mais! Mas há uma nota sublime apresentada aqui: enquanto davam plena vazão ao seu ódio, eles nem percebiam que estavam fazendo “tudo o que a Tua mão e o Teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer”. Deus está (e sempre esteve) no controle de tudo!
- Apocalipse 12:10: Manifestando o poder de Deus. Apesar de ser mencionada em Apocalipse depois do trecho que estamos considerando, esta voz do Céu do cap. 12 é realmente anterior às grandes vozes no Céu mencionadas em 11:15. Esta voz do cap. 12 é ouvida bem no meio da Tribulação, quando Satanás é expulso do Céu, enquanto que aquelas vozes falam quando a sétima trombeta é tocada, mais perto do final da Tribulação. Aqui lemos de um inimigo mais temível e teimoso do que os reis da Terra: o Dragão, Satanás, “que engana todo o mundo” (12:9) e acusa os irmãos de dia e de noite diante do próprio Deus (12:10). Não há, porém, motivo para pânico ou pavor, pois até este terrível inimigo será derrubado, e “o poder do Seu Cristo” será manifesto, derrotando aquele que oprime os homens. Devemos lembrar: “Maior é O que está em vós do que o que está no mundo” (I Jo 4:4).
- Apocalipse 11:15: Mantendo a preeminência de Deus. O louvor do Céu ao soar da sétima trombeta também destaca o ódio dos povos contra o Cristo de Deus (11:18), mas destaca o fato de que Ele assume o controle de todos os reinos do mundo (“os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo”), e que Seu reino será eterno (“reinará para todo o sempre”).
Nestas três referências vemos como o Cristo de Deus livra-nos completamente do poder do mal: Ele pagou o preço do nosso resgate (At 4:26), derruba aquele que nos mantinha escravizados (Ap 12:10), e assumirá o controle de todos os reinos do mundo, para sempre (Ap 11:15).
Irmãos, este é o “Cristo” (isto é, o “ungido”, o “escolhido”) de Deus — este é o Homem que Deus escolheu e ungiu. E só podemos dizer: quão perfeita foi a escolha de Deus; quão grande é o Seu Cristo! E quão grande é a nossa herança nEle!